Leucemia Mieloide Crônica

Home Blog
Voltar




Resumo

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa que tem como característica um excesso de Granulócitos na corrente sanguínea. Essa é uma desordem clonal originada de células mieloides imaturas na medula óssea. O hemograma é um exame de grande importância no auxílio à identificação de novos casos e até no acompanhamento do curso da doença, uma vez que o mesmo pode indicar alterações características de cada uma das fases da LMC.

 

Conceito

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma desordem mieloproliferativa causada por uma anormalidade genética que ocorre nas células mieloides imaturas, as quais produzem eritrócitos, plaquetas, eosinófilos, neutrófilos, basófilos e monócitos. Tal anormalidade é relacionada a um processo denominado translocação, em que há troca de genes entre dois cromossomos. Na doença em questão, ocorre a troca de genes específicos entre o cromossomo 9 e o cromossomo 22.

As consequências disso são a formação de um oncogene (BCR-ABL), que produz uma proteína responsável pelo crescimento e divisão descontrolada das células mieloides, além do fato de que o cromossomo 22 fica mais curto do que o normal (Figura 1). Esse último é denominado cromossomo Filadélfia e está presente em quase todos os pacientes diagnosticados com LMC.

figura-cromossomo

Figura 1: Processo de translocação entre os cromossomos 9 e 22: a) Representação dos cromossomos 9 e 22; b) Processo de translocação entre os dois cromossomos; c) Representação do Cromossomo 9 Alterado (com genes específicos do cromossomo 22), do Cromossomo 22 Alterado, denominado Cromossomo Filadélfia (com genes específicos do Cromossomo 9), do gene formado a partir desse processo de translocação (Gene BCR-ABL) e da proteína formada por esse gene (Proteína de Fusão BCR-ABL). Fonte da Imagem: NOVARTIS, 2016 (Adaptado).

 

Alterações Clínicas

A maioria dos pacientes com LMC são assintomáticos e, quando há presença de sintomas, esses são geralmente inespecíficos (Figura 2).

Figura 2: Sintomas relacionados à LMC. Fonte da Imagem: NOVARTIS, 2016 (Adaptado).

 

Fatores de Risco

O fator de risco é algo que pode aumentar a possibilidade de uma pessoa adquirir uma doença. Contudo, é importante ressaltar que estar em contato com um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa terá obrigatoriamente alguma doença. Também existe a possibilidade de que algum indivíduo que tenha desenvolvido a doença não tenha entrado em contato com algum fator de risco conhecido. Sabe-se que uma alta exposição à radiação é o principal fator de risco relacionado ao desenvolvimento de Leucemia Mieloide Crônica. Além disso, embora a doença possa ocorrer em qualquer idade, o risco é maior em pessoas de idade mais avançada (Figura 3). Por fim, é conhecido que existe uma predominância dos casos de LMC em indivíduos do sexo masculino.

Figura 3: Aumento da frequência de LMC de acordo com a idade. Fonte da imagem: LLS, 2014.

 

Fases e Hematologia

A LMC é dividida em três fases. Cerca de 85% dos pacientes com LMC são diagnosticados na primeira fase da doença, denominada fase Crônica. As demais fases, denominadas fase Acelerada e fase Blástica, são mais agressivas e que podem se desenvolver entre 3 e 5 anos, caso a doença inicial não seja tratada.

Cada uma dessas fases possui características hematológicas específicas. Nesse sentido, o hemograma é uma importante ferramenta como método de triagem para os novos casos, já que vários indivíduos que possuem a doença são assintomáticos. A Figura 4 descreve as alterações presentes no hemograma de indivíduos com LMC.

Figura 4: Alterações no hemograma relacionado a cada fase de LMC:  Leucograma, Eritrograma e Plaquetograma característico das fases crônica, acelerada e blástica de indivíduos com Leucemia Mieloide Crônica. Fonte: HANLON; COPLAND, 2017; LLS, 2014; SOSSELA; ZOPPAS; WEBER, 2017; THOMPSON; KANTARJIAN; CORTES, 2017; VARDIMAN et al., 2019.

 

Testes Complementares

Através do resultado gerado pelo hemograma, associado aos aspectos clínicos do paciente, testes complementares são realizados para confirmação do diagnóstico do paciente com LMC. Dentre esses, são incluídos a biópsia de medula óssea, análises citogenéticas, além de técnicas moleculares, como a Hibridização Fluorescente in situ (FISH) e a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR).

 

Considerações Finais

Diante do que foi exposto, percebe-se que que o hemograma é um exame de extrema importância para o auxílio do diagnóstico da LCM, uma vez que permite avaliar características hematológicas específicas das 3 fases da doença.

 

Vanessa Gonçalves Milagres
Mestre em Análises Clínicas e Toxicológicas
UFMG
Analista Científica de Produtos
Diagno Soluções em Diagnóstico Ltda.

 

Referências Bibliográficas

AC, A. F.; ESMO, E. S. FOR M. O. Chronic Myeloid Leukaemia. p. 22, 2013.

ACS, A. C. S. About Chronic Myeloid Leukemia. n. Cml, 2018.

HANLON, K.; COPLAND, M. Chronic myeloid leukaemia Key points. Medicine, p. 1–5, 2017.

LLS, L. & L. S. Chronic Myeloid Leukemia. 2014.

NOVARTIS, N. P. A. Chronic Myeloid Leukemia. n. May, p. 2893–2917, 2016.

SOSSELA, F. R.; ZOPPAS, B. C. DE A.; WEBER, L. P. Leucemia Mieloide Crônica : aspectos clínicos , diagnóstico e principais alterações observadas no hemograma. Revista RBAC, p. 1–7, 2017.

THOMPSON, P. A.; KANTARJIAN, H.; CORTES, J. E. Diagnosis and Treatment of Chronic Myeloid Leukemia (CML) in 2015. v. 90, n. 10, p. 1440–1454, 2017.

VARDIMAN, J. W. et al. The 2008 revision of the World Health Organization ( WHO ) classification of myeloid neoplasms and acute leukemia : rationale and important changes. v. 114, n. 5, p. 937–952, 2019.